Coração vermelho
Saudações alvirrubras! Hoje (segunda, 11), a Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP) faz 63 anos. Sem dúvidas é o time mais popular do interior do RN, depois de décadas com a pecha de elitista e fechado. O Potiguar foi "tomado" pela massa, fazendo do campo de futebol a mais perfeita moldura para seus sonhos e paixões. Nessa data, mais do que qualquer atleta ou mesmo formação de time, a recordação se fixa em um nome. É-me necessário lembrar de Uilton Costa, que talvez não tenha significado nenhum para muitos. O sobrenome não é pomposo nem deixou descendentes adestrados para sustentar sua imagem num pedestal mitológico. Dirigente do Potiguar, Uilton chegou a morrer num bizarro acidente de trânsito, quando outra vez corria em socorro aos interesses do alvirrubro. Enfrentou problemas familiares e perdeu até um cobiçado emprego federal, em meio à luta para manter vivo o Potiguar. Que não aconteça no esporte o que é comum no restante da existência contemporânea da sociedade mossoroense, capaz de produzir falsos rubis e, intensionalmente, "matar" reais valores humanos. É no futebol, que Mossoró dá os exemplos contemporâneos mais vivos de como deve ser um ambiente democrático, construtivo e sadio. Diferenças são resolvidas em duelos que encantam, consagram ou decepcionam, mas sempre com honestidade e respeito ao povão. Nunca vi Potiguar e o arqui-adversário Baraúnas forjarem resultados ou arrumarem a vida de ambos para que ninguém mais pudesse se sobressair. Vencer e perder fazem parte do jogo. Da vida. Minha homenagem, minha lembrança.
Carlos Santos é jornalista e comentarista esportivo, além de autor do livro "Só rindo - a política do bom humor do palanque aos bastidores"herzogcarlos@gmail.com
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